Negócio de US$ 2,8 bi consolida corrida por minerais críticos

A USA Rare Earth anunciou um acordo de US$ 2,8 bilhões para adquirir a mineradora brasileira Serra Verde, em movimento que sinaliza uma consolidação significativa na corrida global por minerais críticos. A transação, estruturada como uma combinação de US$ 300 milhões em caixa e 126,9 milhões de novas ações emitidas, deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026. A aquisição é a peça central de uma estratégia mais ampla para construir uma cadeia de suprimentos verticalmente integrada que abrange mineração, processamento e fabricação de ímãs de alto desempenho.

Mina Pela Ema é a joia da operação

O principal ativo da aquisição é a mina Pela Ema, da Serra Verde, que ocupa uma posição singular no cenário mineral global. Segundo Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, trata-se da única produtora de grande escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticas essenciais. A mina é especialmente valorizada por seus depósitos de terras raras "pesadas", como disprósio e térbio — elementos indispensáveis para os ímãs permanentes usados em motores de veículos elétricos e turbinas eólicas, mas notoriamente difíceis de obter fora de redes controladas pela China.

Washington sustenta o negócio com bilhões em financiamento

O acordo é sustentado por apoio substancial do governo dos Estados Unidos, o que reflete o peso geopolítico da transição energética. No início deste ano, a USA Rare Earth garantiu um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão de fontes federais e privadas, enquanto a Serra Verde fechou sua própria rodada de US$ 565 milhões com respaldo de Washington. Além disso, a Serra Verde firmou um contrato de 15 anos para fornecer toda a sua produção inicial a uma entidade capitalizada pelo governo, o que na prática isola a oferta da volatilidade de mercado.

Objetivo é dominar toda a cadeia, não apenas a extração

Ao integrar a capacidade de extração da Serra Verde com suas próprias ambições de processamento e fabricação, a USA Rare Earth tenta resolver o problema do "midstream" — o elo intermediário da cadeia — que há tempos compromete os esforços ocidentais para rivalizar com a dominância asiática no setor. O objetivo não é mais apenas extrair minério do solo, mas controlar o ciclo completo dos materiais que vão alimentar a próxima geração de tecnologia industrial.

Com reportagem de InfoMoney.

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