Dois séculos entre o urbano e o selvagem

A Zoological Society of London (ZSL) chegou ao seu bicentenário — marco que condensa dois séculos de tensão e fascínio entre o urbano e o selvagem. Para celebrar a data, a instituição encomendou ao poeta laureado Simon Armitage a obra "The Moon and The Zoo", exibida em uma animação comemorativa. A encomenda situa o zoológico moderno dentro de uma longa tradição de diálogo entre a literatura e o universo cativo de Londres.

Uma paisagem psicológica para criadores britânicos

Ao longo de duzentos anos, o zoológico funcionou como muito mais do que um repositório científico; serviu de paisagem psicológica para alguns dos criadores mais influentes da Grã-Bretanha. A ursa residente Winnipeg inspirou o Winnie-the-Pooh de A.A. Milne, enquanto os leões de bronze da Trafalgar Square foram modelados a partir de animais observados no zoológico por Edwin Landseer. A instituição também ocupa lugar central no imaginário poético de meados do século XX: forneceu o cenário para "Zoo Keeper's Wife", de Sylvia Plath, e a inspiração para "The Thought-Fox", de Ted Hughes — informado por seu breve período como lavador de pratos no local.

Da vitrine vitoriana à ecologia global

Os novos versos de Armitage refletem uma mudança na identidade da instituição, que se desloca do espetáculo vitoriano do exótico em direção a um foco contemporâneo em conservação e ecologia global. Ao entrelaçar poesia e aniversário, a ZSL reconhece que o estudo da vida é tanto um exercício de narrativa e metáfora quanto de biologia. O zoológico permanece como um lugar onde o olhar humano encontra o reino animal, produzindo um registro cultural tão duradouro quanto o científico.

Com reportagem de The Guardian Science.

Source · The Guardian Science