O mais recente relatório mensal da Agência Internacional de Energia (IEA) traz uma avaliação dura sobre o cenário energético global: a fricção geopolítica está suprimindo a demanda por petróleo em ritmo não visto desde o auge dos lockdowns da COVID-19. A escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã cria um clima de incerteza que, na prática, está "destruindo" a demanda — um sinal de que a instabilidade regional passou a afetar os mercados globais de forma diferente do esperado.

Historicamente, conflitos no Oriente Médio sempre foram sinônimo de choques de oferta e disparada nos preços. Os dados atuais, porém, apontam para um fenômeno distinto: uma desaceleração sistêmica na qual a ameaça de uma guerra mais ampla funciona como freio sobre a atividade industrial e o consumo. A comparação da IEA com os lockdowns de 2020 sublinha a gravidade dessa contração e sugere que a paralisia econômica antes associada a uma crise sanitária global agora encontra espelho na volatilidade das relações internacionais.

Essa contração serve como lembrete da fragilidade intrínseca ao sistema energético mundial. À medida que o apetite por combustíveis fósseis se torna cada vez mais dependente da estabilidade da ordem internacional, a retração atual reflete uma ansiedade mais ampla em relação ao futuro do comércio global e da produção industrial. Se essa tendência vai persistir depende da duração das hostilidades em curso, mas, por ora, o mercado de energia opera sob a sombra de uma inércia forçada.

Com reportagem de Exame Inovação.

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