O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos atualizou sua lista de sanções na terça-feira, adicionando novas designações contra indivíduos e entidades ligados a redes de comércio e aviação iranianas. A medida representa a mais recente etapa de uma campanha de pressão econômica que já dura décadas contra Teerã — e que tem se voltado cada vez mais não apenas ao aparato nuclear e militar do Irã, mas à infraestrutura comercial que sustenta a economia do país de forma mais ampla.

As designações, publicadas no site do Departamento do Tesouro, concentram-se no que Washington descreve como redes logísticas que facilitam o comércio internacional iraniano. Ao mirar entidades ligadas à aviação e intermediários comerciais, as novas medidas buscam desarticular o tecido conectivo que permite a circulação de bens, capital e pessoas entre o Irã e o resto do mundo.

Sanções como guerra de infraestrutura

O foco em aviação e logística comercial dá continuidade a uma estratégia que evoluiu consideravelmente desde que os Estados Unidos impuseram sanções abrangentes ao Irã nos anos 1990. As primeiras rodadas de restrições se concentravam em armamentos, exportações de energia e sistema bancário. Com o tempo, porém, o escopo se expandiu para abarcar redes de transporte marítimo, seguradoras e o tipo de empresa intermediária que permite a economias sancionadas manter vínculos comerciais por canais indiretos.

Mirar a aviação é particularmente relevante. A frota de aviação comercial do Irã opera há tempos sob restrições severas, com dificuldade para obter peças de reposição, firmar contratos de manutenção e acessar aeroportos internacionais. Cada nova rodada de designações estreita as opções já limitadas disponíveis para companhias aéreas e operadores de fretamento iranianos. A lógica estratégica é direta: restringir o transporte aéreo eleva o custo e a complexidade de movimentar pessoas e mercadorias, aprofundando o isolamento econômico imposto pelas sanções financeiras.

O Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Tesouro que administra a lista de sanções, desenvolveu uma abordagem cada vez mais granular na última década. Em vez de se apoiar exclusivamente em restrições setoriais amplas, o OFAC passou a identificar indivíduos específicos e empresas de fachada que funcionam como nós em cadeias de aquisição e logística. Essa metodologia de mapeamento de redes reflete lições aprendidas com lacunas de fiscalização anteriores, quando atores sancionados reconstituíam suas operações rotineiramente por meio de empresas de fachada e intermediários em terceiros países.

O contexto geopolítico

O momento dessas designações coincide com um cenário de tensão persistente entre Washington e Teerã. Os canais diplomáticos em torno do programa nuclear iraniano não produziram nenhum acordo duradouro desde que os Estados Unidos se retiraram do Plano de Ação Conjunto e Abrangente (JCPOA) em 2018. Na ausência de um arcabouço negociado, as sanções passaram a funcionar como instrumento padrão da política americana — uma ferramenta que governos sucessivos têm apertado, e não afrouxado.

A questão mais ampla é se a pressão econômica acumulada produz os resultados estratégicos que Washington busca. A economia iraniana absorveu danos significativos com as sanções: desvalorização cambial, restrição às exportações de petróleo e acesso limitado ao sistema bancário internacional reduziram a capacidade fiscal de Teerã. Ainda assim, o governo iraniano também demonstrou capacidade de adaptação, desenvolvendo rotas comerciais alternativas, aprofundando laços econômicos com países menos alinhados às prioridades de fiscalização dos EUA e cultivando soluções domésticas para bens sancionados.

Essa dinâmica cria uma tensão conhecida na política de sanções. Cada nova designação eleva o custo da evasão, mas raramente a elimina por completo. As redes visadas na terça-feira provavelmente serão reconstituídas de alguma forma — novos intermediários, novas empresas de fachada, novos arranjos de roteamento. A questão é se o atrito imposto por essas medidas degrada as capacidades iranianas mais rápido do que Teerã consegue reconstruí-las.

Para o setor de aviação especificamente, as restrições são cumulativas e mais difíceis de contornar. Aeronaves exigem peças certificadas, equipes de manutenção treinadas e acesso a espaço aéreo regulado — nada disso pode ser facilmente replicado por canais informais. A erosão de longo prazo da capacidade de transporte aéreo do Irã pode se revelar um dos efeitos mais duradouros da arquitetura de sanções, mesmo que outras redes comerciais se mostrem mais resilientes.

Se esta última rodada de designações representa um prelúdio para manobras diplomáticas mais amplas ou simplesmente a manutenção rotineira de uma campanha de pressão já consolidada permanece uma questão em aberto — cuja resposta depende tanto dos cálculos de Teerã quanto dos de Washington.

Com reportagem de InfoMoney.

Source · InfoMoney