Na fronteira da barreira do som
Por décadas, a promessa do voo supersônico esbarrou em um único fenômeno acústico violento: o estrondo sônico. O X-59, aeronave experimental da NASA projetada para redesenhar a física da quebra da barreira do som, agora está no limiar de resolver esse problema. Em voos de teste recentes sobre o deserto da Califórnia, o jato alcançou Mach 0,95 e uma altitude de 43 mil pés — batendo, na prática, à porta da barreira do som.
Uma aeronave projetada para silenciar o boom
O X-59 é a peça central da missão Quesst, um projeto que busca substituir o estrondo ensurdecedor do voo supersônico convencional por um ruído abafado, quase imperceptível. Seu nariz alongado, em forma de agulha, e a fuselagem cuidadosamente esculpida foram projetados para impedir que as ondas de choque se aglutinem no som explosivo que levou à proibição de 1973 sobre voos comerciais supersônicos em áreas continentais. Ao dispersar essas ondas, a aeronave tenta contornar os obstáculos regulatórios e sociais que encerraram a era do Concorde.
Próximo passo: cruzar a barreira
Com o sucesso dos ensaios em velocidade quase sônica, a NASA se prepara para a transição definitiva ao regime supersônico nos próximos dias. Se o X-59 conseguir demonstrar que viagens de alta velocidade podem ser realizadas sem perturbar as comunidades em solo, a aeronave poderá fornecer os dados necessários para que reguladores derrubem restrições com décadas de vigência — potencialmente reduzindo pela metade os tempos de voo e alterando de forma profunda a logística global.
Com reportagem de Numerama.
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