No universo frequentemente exorbitante da remuneração executiva, Juan Roig, presidente da rede espanhola de supermercados Mercadona, mantém um nível raro de consistência fiscal. Há três anos consecutivos, seu salário bruto anual permanece fixo em €12 milhões. O valor é expressivo, mas notavelmente modesto quando comparado aos pacotes de remuneração de pares que comandam empresas de escala semelhante — sobretudo pela ausência dos bônus por desempenho que costumam blindar o patrimônio de executivos contra faixas tributárias mais altas.
A estrutura da remuneração de Roig reflete uma abordagem direta, ainda que pesadamente tributada, de finanças pessoais. Seus rendimentos se dividem entre €11 milhões como administrador único da Inmo-Alameda — a holding por meio da qual ele controla mais de 50% da Mercadona — e €1 milhão de salário pelo cargo na varejista. Sob o regime tributário vigente na Espanha, isso resulta em uma alíquota de 54% sobre a renda pessoal, o que deixa Roig com um rendimento líquido de aproximadamente €5,5 milhões. Ao abrir mão das intrincadas stock options e dos dividendos que costumam definir a remuneração de CEOs modernos, a compensação de Roig permanece um caso atípico em termos de transparência.
Para além dos ganhos pessoais, as últimas divulgações financeiras da Mercadona revelam uma guinada estratégica em direção ao ecossistema mais amplo da empresa. Em vez de inflar a remuneração executiva ou acumular liquidez, a companhia ampliou significativamente o suporte financeiro à sua rede de parceiros comerciais, quadruplicando o volume de empréstimos concedidos a fornecedores. A mudança sugere uma priorização da resiliência da cadeia de suprimentos — um movimento que busca garantir a estabilidade do fluxo "do produto à prateleira" em uma era de custos voláteis e incerteza econômica.
Com reportagem de Xataka.
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