O roteiro da União Europeia para a "Década Digital" foi construído sobre a premissa da alfabetização universal — a meta de garantir que 80% da população do bloco domine competências digitais básicas até 2030. No entanto, dados recentes do índice DESI da Comissão Europeia revelam um projeto que está perdendo o rumo. No ritmo atual de crescimento, o bloco não está apenas atrasado: precisaria acelerar a velocidade de adoção em quase nove vezes para cumprir as metas de fim de década.
A trajetória se define menos por um avanço coordenado e mais por uma divisão interna cada vez maior. Entre 2022 e 2025, dez países membros registraram queda efetiva na proficiência digital básica de seus cidadãos. Enquanto países como Hungria e Tchéquia apresentaram ganhos expressivos — com melhora de quase dez pontos percentuais —, outros regrediram, criando um cenário fragmentado em que o acesso a empregos e serviços públicos depende cada vez mais da geografia.
Essa regressão representa um risco sistêmico para a soberania tecnológica mais ampla da UE. À medida que a automação e as interfaces digitais se tornam o patamar mínimo do trabalho moderno, uma população sem fluência digital básica não consegue participar de forma efetiva dos setores de alto crescimento do futuro. Sem uma mudança radical em políticas públicas e investimentos, a meta de 2030 corre o risco de se tornar uma relíquia de otimismo, e não um marco alcançável.
Com reportagem de Visual Capitalist.
Source · Visual Capitalist



