Retórica vira projeto industrial

Durante anos, líderes europeus lamentaram sua "vassalagem tecnológica" em relação aos Estados Unidos, sobretudo à medida que o boom da inteligência artificial concentrou poder em um punhado de salas de reunião no Vale do Silício. Essa retórica agora se materializa em um desafio industrial concreto. A Euclyd, nova startup fundada por veteranos da gigante holandesa de semicondutores ASML, busca €100 milhões em financiamento para desenvolver chips capazes de, em tese, rivalizar com a dominância da Nvidia.

O peso do pedigree

A principal credencial do empreendimento é o pedigree de seus fundadores. Criada pelo ex-diretor da ASML Bernardo Kastrup e apoiada pelo ex-CEO da companhia Peter Wennink, a Euclyd entra no mercado com conhecimento profundo dos sistemas de litografia que viabilizam a computação moderna. O objetivo da startup não é apenas competir em preço, mas em eficiência fundamental — a empresa afirma que sua arquitetura pode ser até 100 vezes mais eficiente do que os padrões atuais da indústria.

Da regulação à inovação primária

Essa busca por independência em hardware espelha as ambições no campo de software da Mistral, empresa francesa de IA que se tornou símbolo da autonomia estratégica europeia. Ao tentar construir tanto os modelos quanto o silício sobre o qual eles rodam, a Europa sinaliza uma mudança de postura: em vez de se limitar ao papel de reguladora de tecnologia, tenta reconquistar um lugar na mesa da inovação primária, onde se forja a infraestrutura física do futuro.

Com reportagem de Xataka.

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