A definição teológica tradicional de onisciência costuma se concentrar no objetivo: um inventário totalizante de todos os fatos, passados, presentes e futuros. Mas em seu livro Omnisubjectivity: An Essay on God and Subjectivity, a filósofa Linda Zagzebski propõe uma dimensão mais íntima do conhecimento divino. Ela argumenta que, para ser verdadeiramente onisciente, uma divindade precisa possuir "onissubjetividade" — a capacidade de apreender com perfeição os estados conscientes de cada ser senciente a partir da perspectiva interna desse ser.
Essa mudança desloca a conversa do proposicional para o experiencial. Uma coisa é o criador saber que uma criatura sente dor ou experimenta alegria; outra, bem diferente, é conhecer esse estado tal como ele é vivido, com todas as "limitações criaturas" e nuances psicológicas que definem a existência individual. O enquadramento de Zagzebski sugere uma divindade que não se limita a observar o mundo à distância, mas o ocupa por meio de uma consciência em múltiplas camadas, espelhando cada "eu" subjetivo.
As implicações da onissubjetividade tocam a própria natureza da empatia e a ponte entre o infinito e o finito. Ao enquadrar o conhecimento divino como subjetividade compartilhada, Zagzebski oferece uma resolução filosófica para o isolamento da mente individual. Nessa perspectiva, nenhuma experiência é verdadeiramente privada; os cantos mais pessoais da consciência são, em última instância, acessíveis a um observador universal que sente o mundo exatamente como nós.
Com reportagem de Notre Dame Philosophical Reviews.
Source · Notre Dame Philosophical Reviews



