O obstáculo de sempre: custo e propriedade

Durante anos, a barreira à energia solar residencial nos Estados Unidos foi uma questão de arquitetura e capital. Uma instalação convencional em telhado exige um investimento típico de US$ 30.000, um financiamento de longo prazo e a propriedade de uma casa unifamiliar. Mas uma mudança legislativa que teve origem em Utah começa a desmontar essa barreira, ao favorecer uma abordagem modular, do tipo "plug-and-play", conhecida como energia solar de varanda.

Como funciona: painéis na tomada

O conceito é enganosamente simples: painéis solares de pequena escala que alimentam eletricidade diretamente na rede doméstica por meio de uma tomada comum. Popularizada na Alemanha — onde a chamada "balcony solar" adicionou capacidade significativa à rede nacional em meio às pressões energéticas da guerra entre Rússia e Ucrânia —, a tecnologia oferece uma alternativa portátil e de baixo custo tanto para inquilinos quanto para proprietários. Em Utah, o deputado estadual republicano Raymond Ward enxergou na tendência europeia uma solução pragmática para a acessibilidade energética e apresentou o projeto de lei HB 340 para legalizar a prática.

Utah sai na frente

O projeto foi aprovado no ano passado com apoio unânime e bipartidário, tornando Utah o primeiro estado a permitir formalmente que moradores contornem as exigências burocráticas das concessionárias para sistemas solares de pequena escala conectados à tomada. Ao eliminar a necessidade de instalação profissional e fixação permanente, a lei democratiza o acesso à energia solar, permitindo que quem não pode arcar com um sistema de telhado de cinco dígitos ainda consiga reduzir a conta de luz.

Um modelo para o resto do país

O "modelo Utah" agora serve de referência para o restante do país. Desde a aprovação do projeto, 30 estados e o Distrito de Columbia redigiram legislações semelhantes, segundo o grupo de advocacy Bright Saver. À medida que a tecnologia ganha respaldo legal, o movimento sinaliza uma transição rumo a uma rede elétrica mais descentralizada e flexível — em que a adoção de energias renováveis não depende apenas de grandes projetos de infraestrutura, mas também de tomadas comuns em apartamentos comuns.

Com reportagem de Grist.

Source · Grist