A carpa-prateada, importada cinco décadas atrás para controlar algas em lagoas de tratamento de esgoto no sul dos Estados Unidos, passou os anos seguintes colonizando a bacia do rio Mississippi. Agora, com a espécie invasora às portas dos Grandes Lagos, um projeto de engenharia de US$ 1,15 bilhão concebido para detê-la se tornou foco de intensa fricção política. O Brandon Road Interbasin Project, localizado na região metropolitana de Chicago, representa uma "última linha de defesa" de alta tecnologia para impedir a transformação ecológica total do maior sistema de água doce do planeta.
A barricada proposta reúne um conjunto complexo de dissuasores: uma barreira elétrica, explosões acústicas, uma "cortina de bolhas" e uma eclusa especializada projetada para expulsar peixes que peguem carona nas embarcações. Trata-se de um dos projetos de infraestrutura aquática mais ambiciosos do país. No entanto, o governo Trump anunciou recentemente que vai retirar Illinois da gestão da obra, transferindo a supervisão para o escritório do Army Corps of Engineers em Detroit. O secretário-adjunto do Exército para Obras Civis, Adam Telle, enquadrou a medida como uma necessidade, acusando Illinois de usar sua influência para "jogar jogos" e de ser um parceiro pouco confiável.
Para o governador JB Pritzker, a decisão é mais um capítulo de uma rivalidade prolongada com o Executivo federal. Enquanto o governo apresenta a mudança como forma de garantir que o projeto avance "de maneira agressiva", o episódio também ilustra como a gestão ambiental pode ser instrumentalizada em disputas políticas mais amplas. Com a supervisão transferida para Michigan, o desafio técnico de manter as carpas à distância permanece — agora sobreposto às complexidades de tensões interestaduais e intervenção federal.
Com reportagem de Grist.
Source · Grist



