Na Flórida, a solidez da rede elétrica costuma ser avaliada pela capacidade de resistir à força bruta de um furacão. Mas uma erosão mais sutil e sistêmica está acontecendo no medidor de luz. Em 2024, residências do estado tiveram a energia cortada 2,1 milhões de vezes por inadimplência — número que coloca a Flórida no epicentro de uma crise nacional crescente de insegurança energética.

A escala dos desligamentos reflete um fosso cada vez maior entre o custo de serviços essenciais e a realidade financeira dos moradores. Para os habitantes da Flórida, eletricidade é condição básica de habitabilidade: é ela que alimenta o ar-condicionado necessário para sobreviver a ondas de calor cada vez mais frequentes e severas. Organizações de defesa do consumidor apontam esses números como evidência de uma falha estrutural, em que o contrato social básico de acesso a serviços públicos está se tornando impagável para uma parcela significativa da população.

A pressão econômica não deve arrefecer tão cedo. A Florida Power & Light, concessionária dominante no estado, está implementando um reajuste tarifário de US$ 7 bilhões que vai comprometer ainda mais o orçamento das famílias. À medida que os custos de manutenção e expansão da rede são repassados aos consumidores, o estado enfrenta uma questão difícil: como administrar um sistema energético moderno que está cada vez mais fora do alcance das pessoas que ele deveria atender.

Com reportagem de Inside Climate News.

Source · Inside Climate News