Em seu clássico de 1988, A Brief History of Time, Stephen Hawking formulou uma pergunta célebre: o que "sopra fogo nas equações" da física, transformando descrições matemáticas abstratas em realidade material vivida? Por décadas, filósofos e físicos debateram se essas leis são forças inerentes que governam o universo — uma espécie de substituto secular do divino — ou se possuem alguma "disposição" metafísica para agir sobre o mundo.

Em seu novo livro, Laws of Nature and Chances, o filósofo Barry Loewer oferece uma alternativa convincente e mais pé no chão. Para Loewer, o "fogo" não vem de uma fonte sobrenatural nem de um poder intrínseco oculto nas partículas. Ele é gerado pela própria atividade da ciência. Nessa perspectiva, as leis da natureza não são roteiros externos que o universo é obrigado a seguir; são, antes, os resumos mais eficientes e informativos dos padrões que observamos.

Essa abordagem desloca o foco do místico para o metodológico. Ao enquadrar as leis como descrições do tipo "Best System" — a forma mais elegante de organizar nossos dados empíricos —, Loewer sugere que a ordem encontrada no cosmos está inextricavelmente ligada ao nosso esforço de descrevê-lo. Trata-se de uma postura analítica que dispensa a necessidade de "poderes" governantes e coloca a agência da descoberta no centro do mundo físico.

Com reportagem de Notre Dame Philosophical Reviews.

Source · Notre Dame Philosophical Reviews