O anúncio da morte da resenha literária é uma tradição quase tão antiga quanto o próprio gênero. Já em 1757, colaboradores da britânica Literary Magazine lamentavam a perda da dignidade crítica, descrevendo resenhistas como "visigodos" e "torturadores da crítica" que encontravam prazer cruel em desmontar a obra de um autor. No século XX, a queixa se inverteu: Rebecca West e Elizabeth Hardwick lamentaram, cada uma a seu modo, uma cultura de "aplausos fracos" e "acomodação lobotomizada", em que os resenhistas eram polidos demais para serem honestos.
Ainda assim, o mal-estar atual parece distinto das reclamações cíclicas do passado. Se a crise de meados do século XX era de polidez excessiva, a era moderna se define por uma erosão sistêmica de confiança. A mudança começou a se cristalizar há cerca de dezesseis anos, afastando-se da autoridade institucional da "recomendação branda" em direção ao teatro descentralizado — e muitas vezes anônimo — do mercado digital.
Essa transição ficou evidente com o escândalo de 2008 envolvendo o historiador Orlando Figes, flagrado usando um pseudônimo na Amazon para publicar resenhas elogiosas de seus próprios livros enquanto depreciava rivais. Essa "lama contaminante", como um contemporâneo a descreveu, sinalizou a passagem dos debates intelectuais do passado para um novo tipo de guerra reputacional. A crise da resenha literária já não diz respeito apenas à qualidade da prosa ou à mordacidade de uma crítica; diz respeito à integridade das plataformas que as abrigam.
Com reportagem de Liberties Journal.
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