No final dos anos 1970, a distância entre a visão de um diretor e o departamento de marketing de um estúdio podia ser medida pelo abismo entre o título de um filme e seu pôster. A adaptação que Joan Micklin Silver fez em 1979 do romance de estreia de Ann Beattie, Chilly Scenes of Winter, funciona como um monumento discreto a esse atrito. Temendo que o título original fosse sombrio demais para uma comédia romântica, a United Artists insistiu em rebatizá-lo. Depois que a 20th Century Fox se recusou a liberar o título Laura, o estúdio se conformou com Head Over Heels — nome que os produtores haviam sugerido originalmente como placeholder sarcástico.

A campanha de marketing que se seguiu teve como peça central uma ilustração marcante de Nancy Stahl para o one-sheet do filme. Enquanto o título sugeria um romance genérico e efervescente, o trabalho de Stahl oferecia um ponto de entrada visual mais nuançado. Era uma peça sofisticada de arte comercial que conseguiu sobreviver a um ciclo de lançamento caótico, no qual o filme disputava atenção com o blockbuster 10, de Blake Edwards. Por ironia, o próprio Edwards lamentou publicamente a natureza "vulgar e sexista" do marketing de seu filme naquele mesmo mês — evidência de um período em que diretores se sentiam cada vez mais alienados da forma como suas obras eram vendidas.

Apesar da identidade visual desencontrada, Head Over Heels manteve uma respeitável temporada de nove semanas no Trans-Lux East, em Manhattan, antes de ser substituído por Roller Boogie, produto da era da roller disco. O filme acabou relançado com seu título original, Chilly Scenes of Winter, permitindo que a prosa melancólica de Beattie e a direção de Silver finalmente se alinhassem à identidade pública da obra. O pôster de Stahl permanece como relíquia de uma época em que até um título escolhido "de brincadeira" podia ser elevado por um design gráfico cuidadoso.

Com reportagem de MUBI Notebook.

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