"O cargo político mais importante", observou certa vez o juiz da Suprema Corte Louis Brandeis, "é o de cidadão comum." A frase soa cada vez mais como relíquia de outra época. À medida que as estruturas da democracia americana se transformam, o papel do indivíduo é esvaziado por dentro, substituído por uma existência mais atomizada, definida por ressentimentos compartilhados em vez de ação comunitária. O "país de associados" que Alexis de Tocqueville um dia descreveu vai dando lugar a uma paisagem em que a praça pública se parece menos com um espaço de engajamento e mais com um campo de batalha reservado a quem tem capital para dominá-lo.
Embora figuras políticas contemporâneas sejam frequentemente responsabilizadas por essa fragmentação, elas funcionam sobretudo como acelerantes de um incêndio que já estava em curso. A erosão real começou com a diminuição sistemática da capacidade de ação do cidadão comum. Uma nova Era Dourada se configurou, na qual influência, acesso e as plataformas necessárias para amplificar a própria voz estão cada vez mais reservados a um grupo capaz de comprá-los. Essa negligência maligna em relação ao bem comum tornou as ferramentas tradicionais de participação cívica — voto, organização local e debate público — menos eficazes e, por consequência, menos atraentes.
O sistema jurídico desempenhou um papel discreto, mas decisivo, nesse recuo. Decisões como Shelby County v. Holder (2013) e Rucho v. Common Cause (2019) desmantelaram de forma sistemática as proteções ao direito de voto e permitiram o entrincheiramento de interesses partidários. Essas decisões representam mais do que simples precedentes legais; são os mecanismos pelos quais o "cargo de cidadão" está sendo reduzido. Quando o próprio arcabouço jurídico se torna hostil ao exercício das liberdades democráticas, o alicerce de uma vida civil produtiva começa a ruir.
Com reportagem de 3 Quarks Daily.
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