A Tesla há tempos trata seus veículos mais como plataformas de software do que como hardware tradicional, e a atualização mais recente da interface do Full Self-Driving (FSD) reforça essa lógica. Um novo aplicativo dedicado não apenas simplifica o processo de assinatura do controverso pacote de assistência ao motorista, mas também introduz um recurso de "streaks". Ao rastrear quantos dias ou viagens consecutivas o motorista ativa o sistema, a Tesla aplica os mesmos incentivos comportamentais de redes sociais e aplicativos de aprendizado de idiomas ao ato de dirigir um veículo.

A iniciativa é tipicamente Tesla — uma fusão de cultura de tecnologia de consumo com engenharia industrial. Para além do engajamento puro, as streaks cumprem uma função prática para a empresa: quanto mais os proprietários usam o FSD, mais dados a Tesla coleta para treinar suas redes neurais. Ao gamificar a experiência, a companhia está, na prática, incentivando sua base de clientes a funcionar como uma enorme frota distribuída de beta testers, transformando deslocamentos rotineiros em sessões de coleta de dados.

Essa virada em direção a um modelo de utilidade ampliada na condução autônoma encontra paralelo em outros pontos da indústria. A Waymo, da Alphabet, por exemplo, passou a alertar prefeituras sobre buracos nas vias detectados por seus sensores durante viagens de rotina. À medida que os veículos se tornam cada vez mais equipados com sensores e definidos por software, a tarefa primária de ir do ponto A ao ponto B ganha camadas secundárias de coleta de dados e ciclos de retroalimentação digital.

Com reportagem de The Drive.

Source · The Drive