O blockbuster contemporâneo é, cada vez mais, uma disputa por território físico. Em 18 de dezembro de 2026, dois dos filmes mais aguardados da década — Dune: Part Three, da Warner Bros., e Avengers: Doomsday, da Disney — estão programados para colidir nas bilheterias. Mas enquanto o confronto comercial vai se travar em cada multiplex, a guerra pelo prestígio já foi vencida por Denis Villeneuve. A Warner Bros. garantiu uma janela de exclusividade de três semanas em todas as salas IMAX dos Estados Unidos quase um ano antes de a Disney mover seu carro-chefe da Marvel para a mesma data.
O conflito expõe um gargalo crescente na experiência de cinema: a escassez de salas premium de grande formato (PLF). Para Dune, a vantagem vai além do contrato. Villeneuve está filmando a conclusão da trilogia predominantemente em película IMAX 65mm, um formato nativo que ocupa toda a altura das telas especializadas. Em contraste, a produção dos irmãos Russo para Avengers utiliza câmeras digitais certificadas pela IMAX. Na hierarquia do formato, o negativo 65mm continua sendo o padrão ouro, o que dá à Warner Bros. tanto a superioridade técnica quanto a jurídica.
Diante do bloqueio nas salas mais lucrativas da indústria, a Disney tenta uma manobra tática. O estúdio começou a promover o "Infinity Vision", uma marca proprietária projetada para emular o apelo premium do IMAX sem depender da infraestrutura de terceiros. É um movimento nascido da necessidade — uma tentativa de fabricar uma camada "premium" de exibição quando o padrão de referência está ocupado por um concorrente.
Esse atrito revela uma mudança na forma como os estúdios encaram a janela de exibição nos cinemas. À medida que as salas convencionais enfrentam margens cada vez menores, o cinema "evento" oferecido pelo IMAX se tornou o único território garantido. Ao travar esse espaço com anos de antecedência, a Warner Bros. não apenas assegurou a melhor vitrine — forçou a maior máquina de entretenimento do mundo a inventar sua própria alternativa.
Com reportagem de Xataka.
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