A visão de uma internet única e sem fronteiras cedeu lugar, em grande medida, a um cenário fragmentado de jurisdições nacionais. Segundo um índice de 2026 produzido pela Cloudwards, a liberdade na internet se distribui hoje em um gradiente marcadamente desigual, moldado por diferentes graus de intervenção estatal sobre VPNs, torrenting e expressão política. Enquanto a experiência digital segue relativamente livre em partes da Europa e da América Latina, outras regiões caminham para o isolamento informacional completo.

No topo da escala, 11 países — entre eles Noruega e Costa Rica — compartilham a nota 92 de 100, o que representa o atual teto de abertura digital. Essas nações mantêm níveis elevados de expressão cívica e barreiras técnicas mínimas ao acesso a conteúdo. Na outra ponta, a base do índice reflete a consolidação absoluta do controle estatal. A Coreia do Norte permanece em zero, seguida de perto por China, Rússia, Irã e Paquistão, onde o modelo de "internet soberana" substituiu, na prática, a web aberta.

Talvez o dado mais revelador seja a posição de potências ocidentais como Estados Unidos e Reino Unido, que ficam no meio da tabela com notas de 64 e 52, respectivamente. Seus rankings ficam atrás do Canadá (84) e de vários vizinhos europeus, penalizados pelo avanço da regulação sobre conteúdo online e pela aplicação mais rigorosa de leis de propriedade intelectual digital. Essa posição intermediária sugere que, mesmo em democracias tradicionais, a internet está se tornando um ambiente cada vez mais administrado e monitorado.

Com reportagem de Visual Capitalist.

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