O estudo de Tomás de Aquino frequentemente padece de uma abordagem fragmentária, em que suas reflexões volumosas sobre virtude, lei e divindade são tratadas como módulos isolados, e não como um sistema unificado. Em Aquinas on the Ethics of Happiness, Joseph Stenberg propõe uma "reconstrução panorâmica" do arcabouço moral do filósofo escolástico. O objetivo é ir além dos debates estreitos da ética das virtudes contemporânea e recuperar a lógica interna que move a visão de Aquino sobre a vida humana.
O trabalho de Stenberg gira em torno do conceito de beatitudo — comumente traduzido como felicidade, embora carregue um peso muito maior do que a satisfação emocional moderna. Para Aquino, a ética não é simplesmente um conjunto de regras a serem seguidas, mas uma jornada teleológica rumo a um fim específico. Stenberg argumenta que esse fim é um estado objetivo de florescimento, enraizado na perfeição da natureza humana — e não nos caprichos subjetivos do indivíduo.
Ao reexaminar esses elementos fundacionais, Stenberg posiciona Aquino como um pensador cuja relevância não se limita ao século XIII. A reconstrução sugere que nossas dificuldades modernas com a moralidade podem ter origem na perda dessa coerência "panorâmica". Na leitura de Stenberg, compreender Aquino exige que se veja a felicidade não como um sentimento passageiro, mas como o propósito final e estrutural da existência humana.
Com reportagem de Notre Dame Philosophical Reviews.
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