Além do silício rígido
A computação moderna se sustenta sobre a arquitetura rígida do silício e da eletricidade, mas uma nova fronteira na fotônica aponta para um futuro mais maleável. Dispositivos fotônicos, que transmitem informação por meio de luz em vez de elétrons, prometem velocidades superiores e consumo de energia significativamente menor. O problema é que a construção desses sistemas costuma depender de materiais difíceis de fabricar ou que exigem grande quantidade de energia para serem manipulados.
Fotônica "mole"
Uma equipe de pesquisa liderada por Igor Muševič, da Universidade de Ljubljana, explora agora a fotônica de materiais macios — portas lógicas feitas de polímeros e géis. Embora esses materiais sejam péssimos condutores de eletricidade, são ambientalmente sustentáveis e fáceis de produzir. O desafio sempre foi como comutar sinais luminosos dentro deles sem recorrer a correntes elétricas ou pulsos de alta intensidade capazes de danificar a matéria mole.
Uma inspiração improvável
A solução veio de uma fonte inesperada: a microscopia por depleção de emissão estimulada (STED, na sigla em inglês), técnica laureada com o Nobel usada para captar imagens biológicas de alta resolução. Muševič percebeu que o mesmo princípio empregado para estreitar um feixe de laser na microscopia poderia ser adaptado para controlar luz com luz. Usando pulsos de laser de baixa intensidade para manipular a trajetória de outro feixe, a equipe criou uma chave óptica que funciona sem alterar as propriedades físicas do material em si.
Rumo a um hardware sustentável
O avanço aponta para uma mudança sustentável no design de hardware. Ao se afastar das limitações rígidas e intensivas em calor dos semicondutores tradicionais, a fotônica de materiais macios pode viabilizar uma geração de dispositivos flexíveis e de baixo consumo, tão eficientes quanto adaptáveis.
Com reportagem de IEEE Spectrum.
Source · IEEE Spectrum



