Uma alquimia em câmera lenta

Nas profundezas esmagadoras dos oceanos, onde placas tectônicas colidem e deslizam umas sob as outras num processo conhecido como subducção, uma alquimia em câmera lenta acontece. Há tempos se sabe que essas zonas abrigam concentrações significativas de metais preciosos, mas os mecanismos exatos pelos quais o ouro migra e se acumula nesses pontos geológicos específicos permaneciam, em grande medida, opacos para a ciência.

Cápsulas do tempo químicas

Pesquisadores do Geomar Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel oferecem agora uma visão mais nítida desse sistema de transporte subterrâneo. Ao analisar amostras de vidro vulcânico recuperadas do fundo do mar, a equipe conseguiu rastrear a assinatura elementar dos fluidos que se movem pela crosta terrestre. Esses fragmentos de vidro, formados quando o magma é resfriado rapidamente pela água do mar, funcionam como cápsulas do tempo químicas — preservam o estado da química do manto no momento da erupção.

Uma refinaria natural

Os achados indicam que o ambiente térmico e químico singular das zonas de subducção funciona como uma refinaria natural. À medida que a placa em submersão libera água e gases, ela desencadeia a fusão do manto sobrejacente, criando um caminho para que o ouro seja transportado para cima e concentrado na crosta. A descoberta não apenas refina a compreensão dos ciclos minerais do planeta, mas também evidencia a complexa interação entre a tectônica de placas e a distribuição dos recursos mais cobiçados da Terra.

Com reportagem de t3n.

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