A conclusão da Guerra Civil Libanesa, em 1990, costuma ser tratada como um marco histórico, o encerramento definitivo de um capítulo sangrento. Para quem observa a região há décadas, no entanto, a paz sempre foi uma ilusão. O conflito não se extinguiu; apenas assumiu formas novas e mais insidiosas, entranhando-se na estrutura do Estado e na psique de seu povo.

Jornalistas que retornam ao Líbano se veem cobrindo um ciclo de violência que se parece menos com uma sequência de eventos distintos e mais com uma única erupção prolongada. Enquanto a maioria das guerras chega a algum tipo de desfecho — por mais desordenado ou injusto que seja —, a luta libanesa parece perpétua. É um conflito que desafia o arco tradicional de começo, meio e fim.

Esse estado permanente de atrito funciona como uma doença crônica. Um mal que debilita o organismo sem jamais desferir o golpe fatal. Nesse cenário, a era do "pós-guerra" é apenas uma fase diferente da mesma instabilidade sistêmica — um lembrete de que certas feridas históricas foram feitas para permanecer abertas.

Com reportagem de London Review of Books.

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