Na confraternização de fim de ano da Mattio Communications, agência de marketing sediada em Nova York, os 35 funcionários não se reuniram para um coquetel — e sim para um workshop sobre a mecânica de enrolar um baseado. O ritual teve até um toque personalizado: os participantes usaram seus próprios cartões de visita como "piteiras", os pequenos filtros de papel na ponta do cigarro. A cena seria impensável num ambiente corporativo dez anos atrás, mas está se tornando cada vez mais comum à medida que as fronteiras entre vida profissional e cultura canábica se dissolvem.
A mudança é impulsionada pela convergência de tendências legais e demográficas. Com a cannabis recreativa agora legalizada em 24 estados americanos, a substância vem perdendo o estigma contracultural e ganhando uma imagem mais polida e profissional. Dados da Gallup indicam que profissionais mais jovens, sobretudo na faixa de 18 a 34 anos, demonstram afinidade decrescente com o álcool e optam, em vez disso, pela socialização associada ao THC. Nesses círculos, o happy hour corporativo está sendo reinventado com bebidas infusionadas, gummies e baseados compartilhados — transformando o modo como equipes relaxam juntas.
Embora a Mattio Communications esteja numa posição singular como agência especializada no setor de cannabis, sua adesão à planta sinaliza uma normalização mais ampla. Enquanto empresas buscam formas inéditas de fomentar conexão no cenário pós-pandemia, a cannabis oferece uma frequência social diferente da do open bar tradicional — frequentemente percebida como mais colaborativa e menos sujeita aos efeitos agressivos do consumo excessivo de álcool. Para uma parcela crescente da força de trabalho americana, o futuro da cultura corporativa não se resume a fazer networking; passa também por acender um.
Com reportagem de Fast Company.
Source · Fast Company



