Reorganização forçada

O cenário global de semicondutores passa por uma reorganização forçada. Durante anos, empresas ocidentais e japonesas como ASML e Applied Materials encontraram na China seu mercado de crescimento mais lucrativo. Mas dados recentes indicam uma inversão de maré. A ASML, gigante holandesa de litografia, viu sua receita proveniente da China cair de 41% em 2024 para 33% em 2025, com projeções apontando para apenas 20% no próximo ano. Empresas americanas registram recuos semelhantes: a fatia de vendas da Applied Materials na China caiu de 37% para 30% em um único ano, enquanto Lam Research e KLA reportam quedas comparáveis.

Pinça geopolítica

Esse recuo é menos uma escolha e mais consequência de um cerco geopolítico cada vez mais apertado. De um lado, controles de exportação americanos cada vez mais rígidos passaram a barrar a entrega dos equipamentos mais sofisticados de litografia e processamento de wafers ao território chinês. Do outro, o governo de Xi Jinping respondeu com um gigantesco programa estatal de "soberania tecnológica", incentivando fabricantes domésticos de chips a substituir equipamentos estrangeiros por alternativas nacionais.

Soberania no chão de fábrica

Os resultados dessa virada interna já são visíveis no chão de fábrica. Equipamentos domésticos representam hoje cerca de 35% do maquinário em uso nas plantas de circuitos integrados da China. As ambições de Pequim para o futuro próximo são ainda mais agressivas: a meta é que 50% dos equipamentos de todas as novas instalações de semicondutores sejam de origem nacional até 2026. Embora os nós mais avançados continuem sendo um desafio, a China está demonstrando que, para a grande maioria do mercado, a autossuficiência deixou de ser um objetivo teórico distante — e se tornou uma realidade em rápida aproximação.

Com reportagem de Xataka.

Source · Xataka