Nas florestas de Grödinge, na Suécia, o besouro-do-abeto é um sinal de desequilíbrio ecológico. O inseto enfraquece as árvores até que suas camadas externas se soltem e caiam — um processo normalmente visto como o estágio terminal da saúde de uma floresta. O escritório Ulf Mejergren Architects (UMA), no entanto, reinterpretou essa decomposição como fonte de abundância arquitetônica, coletando as cascas descartadas para construir um abrigo primitivo e ao mesmo tempo sofisticado, batizado de Spruce Bark Hut.
O projeto opera na interseção de duas lógicas biológicas distintas: o caminho destrutivo do besouro e os hábitos construtivos da formiga. Enquanto o besouro fornece a matéria-prima ao separar a casca do tronco, a forma da cabana se inspira nos formigueiros, que usam a verticalidade de uma árvore como âncora estrutural. O UMA construiu a cabana ao redor de um abeto vivo, utilizando o tronco como pilar central, enquanto uma estrutura leve de madeira e masonite funciona como esqueleto secundário para o revestimento externo.
Diferentemente da madeira rígida usada em construções convencionais, a casca de abeto funciona mais como um tecido. É fina, maleável e semelhante a papel, o que permite que seja sobreposta, dobrada e grampeada à estrutura em camadas sobrepostas. Essa pele orgânica cria um invólucro resistente às intempéries que reconhece o ciclo de vida da floresta. Ao transformar o subproduto de uma epidemia em estrutura funcional, o projeto sugere um caminho para uma arquitetura que opera dentro dos ciclos de estresse ambiental — não contra eles.
Com reportagem de Designboom.
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