O setor de construção civil está espremido entre duas pressões crescentes: a escassez global de moradias e o impacto ambiental dos materiais tradicionais. Embora a madeira continue sendo o padrão para estruturas residenciais, a demanda por esse recurso entra cada vez mais em conflito com metas de conservação florestal. No MIT, uma equipe de engenheiros propõe uma virada em direção a um material normalmente visto como poluente: o plástico descartável.
Liderado pelo professor David Hardt e pelo pesquisador AJ Perez, o grupo desenvolveu um método de impressão 3D para produzir vigas e treliças com qualidade estrutural, utilizando polímeros de PET reciclado reforçados com fibra de vidro. Diferentemente de outros projetos de manufatura aditiva em larga escala — que imprimem paredes com concreto ou argila de alta pegada de carbono —, essa abordagem se concentra no "esqueleto" estrutural da edificação. As treliças impressas reproduzem os padrões diagonais, semelhantes a escadas, dos suportes tradicionais de piso em madeira, mas com uma pegada de carbono significativamente menor.
Nos testes de laboratório, os resultados foram além da teoria. Usando uma impressora 3D do tamanho de uma sala, os pesquisadores produziram quatro treliças longas e as integraram a uma estrutura de piso convencional com cobertura de compensado. O conjunto demonstrou capacidade de carga superior a 4.000 libras (cerca de 1.814 kg), superando com folga os requisitos da construção residencial. Ao transformar resíduo plástico em ativo estrutural, o projeto aponta para um futuro em que economia circular e mercado habitacional deixam de ser forças opostas.
Com reportagem de MIT Technology Review.
Source · MIT Technology Review



