A crise ambiental contemporânea costuma ser enquadrada como uma falha de política pública ou de tecnologia, mas um número crescente de pensadores sustenta que suas origens são mais profundas — estão incrustadas na própria arquitetura do pensamento ocidental. Os compromissos filosóficos tradicionais do Ocidente — ontologia da substância, dualismo metafísico e um essencialismo rígido — há muito colocam o ser humano num pedestal, tratando o mundo natural como recurso inerte, separado, a ser administrado ou explorado.

Em Different Beasts: Humans and Animals in Spinoza and the Zhuangzi, uma nova análise comparativa desafia essas premissas fundacionais. Ao estabelecer uma ponte entre o racionalismo seiscentista de Baruch Spinoza e a sabedoria daoísta antiga do Zhuangzi, o texto explora formas alternativas de conceituar a relação entre espécies. Ambos os arcabouços, embora separados por séculos e continentes, rejeitam a ideia de que os seres humanos possuem uma essência única e transcendente que justifique seu domínio sobre os demais seres vivos.

O monismo de Spinoza propõe que todas as entidades são meros "modos" de uma substância única, enquanto o Zhuangzi recorre a uma perspectiva cética para dissolver as fronteiras entre o "eu" e o "outro". Juntas, essas perspectivas sugerem que a saída da catástrofe ecológica exige mais do que engenharia melhor — exige uma recalibração fundamental de como definimos o "humano" em relação ao "animal".

Com reportagem de Notre Dame Philosophical Reviews.

Source · Notre Dame Philosophical Reviews