A relação entre um provedor de serviços e seu assinante costuma se apoiar na premissa de estabilidade. Clientes da operadora francesa Bouygues Telecom, porém, se depararam recentemente com uma mudança nessa dinâmica. A empresa passou a inscrever automaticamente seus usuários em uma "vantagem" de antivírus pago, ao custo de €3 por mês, sem exigir qualquer consentimento explícito do titular da conta.

A tática — frequentemente chamada de negative option billing — se apoia na inércia do consumidor. Ao enquadrar a adição como uma atualização automática em vez de um pedido de consentimento, a operadora transfere todo o ônus de ação para o assinante. Para evitar a cobrança recorrente, o usuário precisa acessar proativamente as configurações da conta e recusar formalmente um serviço que jamais solicitou.

Embora a legalidade desse tipo de manobra costume depender de cláusulas nas entrelinhas de renovações contratuais, o atrito ético permanece. Numa era em que assinaturas digitais são cada vez mais fragmentadas e automatizadas, a adição "silenciosa" de serviços reflete uma tendência mais ampla do setor — em que o crescimento de receita é buscado pela fricção do cancelamento, e não pelo mérito do produto em si.

Com reportagem de Numerama.

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