A arquitetura inicial da era moderna da IA foi construída sobre uma base de dados emprestados, muitas vezes extraídos dos espaços digitais públicos sem o consentimento explícito de quem os habitava. Num acerto de contas tardio com essa prática, a empresa de reconhecimento facial Clarifai confirmou a exclusão de aproximadamente três milhões de fotos obtidas do site de relacionamentos OkCupid, junto com os modelos algorítmicos treinados a partir delas.
A transferência de dados ocorreu em 2014, época em que as salvaguardas éticas para aprendizado de máquina eram em grande parte teóricas. O OkCupid forneceu as imagens à Clarifai para ajudar a refinar suas capacidades de reconhecimento facial — uma decisão que a Federal Trade Commission (FTC) posteriormente concluiu ter violado as próprias promessas de privacidade da plataforma de namoro. Embora a Clarifai em si não tenha sido acusada de irregularidade legal, a decisão de eliminar o conjunto de dados veio na esteira de um acordo firmado no fim de março entre a FTC, o OkCupid e sua controladora, o Match Group.
Sem multa, mas com destruição de propriedade intelectual
O acordo não previu penalidades financeiras, mas seu impacto se faz sentir na destruição forçada da propriedade intelectual derivada das fotos. Para a Clarifai, empresa sediada em Delaware que se tornou um nome relevante no segmento de visão computacional, a exclusão encerra um capítulo controverso. O caso funciona como lembrete de que o ethos do "mova-se rápido e quebre coisas" da década passada colide cada vez mais com um ambiente regulatório que trata dados biométricos como um ativo permanente — e privado.
Com reportagem de The Next Web.
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