Nas profundezas do assoalho oceânico, a vida existe em estado de animação suspensa. Soterrados sob quilômetros de sedimento, micróbios podem permanecer dormentes por milhões de anos, à espera de um catalisador que os devolva à superfície. Uma nova pesquisa apresentada no encontro anual de 2026 da Seismological Society of America (SSA) indica que o mecanismo por trás dessa ressurreição biológica é a mesma força que desencadeia os terremotos mais violentos do planeta: as zonas de subducção.

Nessas regiões, onde uma placa tectônica desliza sob outra, forma-se uma espécie de gigantesco "elevador tectônico". À medida que a placa descendente mergulha rumo ao manto terrestre — uma jornada que os pesquisadores apelidaram informalmente de "viagem ao inferno" —, camadas de sedimento ricas em micróbios são raspadas e comprimidas contra a placa sobrejacente. Embora boa parte desse material orgânico acabe consumido pelo calor do interior da Terra, uma fração significativa encontra caminho de volta.

A fricção e a pressão imensas geradas pelo deslocamento das placas forçam fluidos por uma rede complexa de fraturas e falhas dentro da cunha sedimentar. Esse fluxo pressurizado carrega organismos dormentes para cima, depositando-os novamente no fundo do mar. O processo permite que micróbios ancestrais reingressem no ecossistema moderno, potencialmente introduzindo adaptações biológicas de um passado geológico distante no mundo contemporâneo.

Com reportagem de Olhar Digital.

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