Uma extensão invisível pela rua, reveladora por dentro
Na vila de South Cambridgeshire, a presença do passado costuma ter peso físico. Para uma família que se mudava de Londres, essa história assumiu a forma de uma igreja gótica tombada como Grade-II* erguida ao lado de sua nova casa. Encarregado de modernizar o imóvel dentro de uma área de conservação rigorosa, o escritório londrino Neil Dusheiko Architects optou não por esconder o monumento vizinho, mas por incorporá-lo à experiência doméstica. O resultado, batizado com precisão de Church House, é um exercício de humildade arquitetônica e enquadramento preciso.
Tijolos claros e carvalho como ponte material
O projeto se organiza em torno de uma extensão nos fundos que permanece invisível a partir da rua, preservando a fachada histórica do terreno. No interior, a linguagem projetual se volta para um modernismo tátil e enraizado. Uma sala de jantar rebaixada funciona como âncora da casa, onde uma ampla janela panorâmica transforma a igreja de pedra e sílex em uma tapeçaria viva. Ao adotar uma paleta de tijolos claros e vigas de carvalho aparente, o estúdio cria uma ponte material entre a construção nova e as texturas desgastadas do vizinho eclesiástico.
Uma "trindade espacial" que prioriza o contexto
O diretor Neil Dusheiko descreve o arranjo como uma "trindade espacial" — uma conversa entre a casa principal, uma antiga cocheira reformada e a própria igreja. Trata-se de uma abordagem sutil à densidade residencial que prioriza o contexto em vez do espetáculo. Em lugar de competir com a torre gótica, a extensão age como observadora silenciosa, provando que a vida contemporânea pode coexistir com a história sem apagá-la.
Com reportagem de Dezeen.
Source · Dezeen



