Um fóssil ignorado por quase 150 anos

Durante quase 150 anos, um fóssil discreto permaneceu guardado numa coleção de museu, com sua importância ignorada por gerações de botânicos. Descoberto em 1883 por Paul Friedrich na região de Saxony-Anhalt, na Alemanha, o espécime foi recentemente identificado como uma folha do gênero Cannabis. Com datação de 56 milhões de anos, no início do Eoceno, o achado dobra a idade conhecida da planta e desafia de forma fundamental as teorias consolidadas sobre sua origem geográfica.

Uma linhagem muito mais antiga do que se pensava

Até agora, o consenso científico situava o surgimento da cannabis no Planalto Tibetano, entre 20 e 28 milhões de anos atrás — cronologia sustentada por amostras de pólen antigo e datação molecular de DNA de espécies modernas. A nova evidência aponta para uma linhagem muito mais antiga, que floresceu na Europa muito antes da formação geológica do Himalaia. A descoberta, detalhada por Ludwig Luthardt, do Museum für Naturkunde de Berlim, sugere que a trajetória evolutiva do gênero é ao mesmo tempo mais antiga e geograficamente mais ampla do que se havia mapeado.

Um design evolutivo notavelmente estável

O que talvez mais chame a atenção dos pesquisadores é o quanto a arquitetura da planta mudou pouco ao longo das eras. Luthardt observou que a morfologia do fóssil — dos contornos serrilhados característicos da folha aos padrões intrincados de nervuras — é praticamente idêntica à da cannabis moderna. Essa estabilidade biológica sugere um design evolutivo altamente bem-sucedido, que se manteve notavelmente estável ao longo de dezenas de milhões de anos de mudanças climáticas e transformações geológicas.

Com reportagem de Olhar Digital.

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