O mercado global de energia opera há tempos no fio da navalha: tremores geopolíticos no Oriente Médio se convertem rapidamente em atrito econômico no resto do mundo. Com a escalada das tensões regionais, os mecanismos de oferta e demanda voltam a ser testados, forçando uma reavaliação do que o consumidor paga pela mobilidade.
Segundo Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), a instabilidade atual gera um efeito cascata que começa na boca do poço e termina na bomba de combustível. A volatilidade do Brent — referência internacional de preço — funciona como termômetro da estabilidade regional: quando o conflito se aproxima, o "prêmio de risco" sobe e encarece os derivados de petróleo, independentemente da capacidade de produção local.
Para o consumidor comum, essa mudança de patamar macroeconômico se materializa de duas formas principais: o custo do deslocamento diário e o preço da passagem aérea. Companhias aéreas, que operam com margens notoriamente estreitas, são especialmente vulneráveis a picos no preço do querosene de aviação. Esses custos são quase sempre repassados aos passageiros por meio de reajustes tarifários ou sobretaxas — uma ilustração de como manobras geopolíticas distantes podem determinar a viabilidade das viagens ao redor do mundo.
Com reportagem de Olhar Digital.
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