A Promotoria de Paris convocou Elon Musk para um depoimento voluntário, o que representa uma escalada significativa no escrutínio do Judiciário francês sobre a plataforma X. O procedimento, conhecido como audition libre, também se estende à ex-CEO Linda Yaccarino e a outros funcionários da empresa. Embora o formato permita que Musk permaneça em silêncio e se retire a qualquer momento, eventuais declarações são registradas oficialmente e podem ter peso em uma investigação que avança independentemente de sua presença.

O inquérito, aberto no início de 2025, tinha como alvo original os algoritmos de recomendação da plataforma e seu potencial de manipulação. Ao longo do último ano, porém, o escopo do caso se ampliou de forma considerável. Em novembro de 2025, a divisão de crimes cibernéticos da polícia francesa passou a investigar possível cumplicidade na posse e distribuição de material ilícito, incluindo deepfakes e imagens envolvendo abuso de menores.

A iniciativa reflete um apetite crescente dos reguladores europeus por responsabilizar pessoalmente executivos pelas falhas sistêmicas de suas plataformas. Para o X, que reduziu drasticamente suas equipes de moderação sob o comando de Musk, a convocação representa uma colisão entre o absolutismo de "liberdade de expressão" da empresa e as exigências rígidas das leis europeias de segurança digital. O desfecho pode abrir precedente sobre o grau de risco jurídico pessoal que um bilionário da tecnologia precisa assumir pelos resultados automatizados de seu próprio império.

Com reportagem de Canaltech.

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