O desfecho de um processo que se arrastou por anos

O acerto de contas judicial da Purdue Pharma, adiado por anos, chega ao seu estágio final. Um juiz federal deve sentenciar a fabricante do OxyContin ao confisco de US$ 225 milhões em favor do Departamento de Justiça — medida que funciona como peça-chave para destravar um amplo arcabouço de indenizações travado por anos de litígio e entraves processuais.

Culpa admitida, práticas expostas

O confisco decorre de um acordo firmado em 2020, no qual a empresa, sediada em Stamford, se declarou culpada de três acusações criminais federais. As admissões constituíram uma condenação inequívoca de negligência corporativa: a Purdue reconheceu que não manteve programas eficazes para impedir o desvio de analgésicos para o mercado ilegal, apesar de garantias prestadas à DEA. Além disso, a empresa admitiu um esforço sistemático para impulsionar prescrições por meio de propinas a médicos e manipulação de prontuários eletrônicos para direcionar populações específicas de pacientes.

Bilhões para vítimas e governos

Se o juiz homologar a sentença, o caminho se abre para que um acordo mais amplo entre em vigor já em 1º de maio. Pelos termos estabelecidos, a família Sackler — proprietária da empresa, hoje falida — contribuirá com até US$ 7 bilhões para governos estaduais, locais e tribais indígenas norte-americanos. Embora nenhum montante seja capaz de reverter os danos sistêmicos da epidemia de opioides, os recursos estão destinados a programas de recuperação e compensação direta às vítimas — um desfecho sombrio para um dos casos mais significativos de má conduta corporativa da história dos Estados Unidos.

Com reportagem de Fast Company.

Source · Fast Company