O cão doméstico moderno, apesar de milênios de convivência com humanos, permanece biologicamente ligado a seus ancestrais carnívoros. Essa constatação tem alimentado um movimento crescente entre veterinários e tutores em direção às dietas cruas — um afastamento da ração ultraprocessada que dominou a indústria pet por décadas. Observações e estudos recentes sugerem que o retorno a proteínas cruas como carne bovina e frango pode gerar melhorias fisiológicas visíveis, incluindo níveis de energia mais densos, pelagem mais saudável e digestão mais eficiente.

Um estudo publicado via Science Direct indica que essas dietas "ancestrais" podem alterar de forma fundamental o metabolismo canino. Ao priorizar proteínas de alta qualidade, de fácil absorção, e gorduras naturais, a alimentação crua foi associada a níveis mais baixos de glicose e colesterol. Tutores relatam com frequência benefícios secundários que são mais anedóticos, mas não menos relevantes para o dia a dia da casa: fezes menores e menos odorosas e um aumento perceptível na vitalidade diária do animal.

A transição para a alimentação crua, no entanto, não está livre de riscos sistêmicos significativos. A comunidade científica mantém cautela, apontando o alto potencial de contaminação bacteriana e a dificuldade de alcançar um equilíbrio nutricional preciso sem supervisão profissional. Embora a carne bovina forneça ferro essencial e o frango ofereça proteína magra, uma dieta improvisada pode levar a deficiências severas. À medida que a nutrição animal evolui para uma ciência mais personalizada, o consenso permanece: mudanças alimentares tão radicais exigem orientação clínica rigorosa para garantir que a busca por saúde não leve, inadvertidamente, à doença.

Com reportagem de Olhar Digital.

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