Um início de ano já aquecido
O primeiro trimestre de 2026 transcorreu sob a influência residual de uma La Niña fraca e, ainda assim, ficou registrado como o quarto início de ano mais quente da história. Essa base de calor tende agora a se intensificar. Segundo análise de cinco grandes conjuntos de dados globais de temperatura feita pelo Carbon Brief, o planeta segue uma trajetória que pode fazer de 2026 o segundo ano mais quente desde o início das medições — com uma probabilidade estreita, mas significativa, de alcançar posição ainda mais alta no ranking.
El Niño "super" no horizonte
O principal motor dessa escalada é a projeção de um El Niño forte — possivelmente classificado como "super" — até o início do outono boreal. Fase quente da Oscilação Sul-El Niño (ENSO), esse padrão climático no Pacífico tropical reorganiza o tempo em escala global e empurra de forma consistente as temperaturas de superfície para cima. Embora 2026 tenha hoje 19% de chance de superar 2024 como o ano mais quente já registrado, a preocupação central dos climatologistas está no impulso que esse evento cria para o ano seguinte. Um El Niño sustentado no fim de 2026 posicionaria 2027, com quase certeza, para estabelecer um novo pico histórico.
Gelo ártico em mínimas históricas
Para além das temperaturas de superfície, os indicadores ambientais de um sistema em aquecimento são cada vez mais contundentes. O gelo marinho do Ártico atingiu neste ano um pico de inverno que empatou com 2025 como o mais baixo já captado por satélite. A convergência entre mínimas recordes de gelo e energia térmica crescente sugere que o breve alívio proporcionado pela La Niña foi apenas um efeito de máscara sobre uma tendência muito mais profunda e persistente de aquecimento global.
Com reportagem do Carbon Brief.
Source · Carbon Brief



