Numa era dominada por remakes e remasters, a indústria de games parece ter encontrado um porto seguro na nostalgia. Essa estratégia de baixo risco, porém, esconde um rastro de projetos promissores que, apesar do sucesso de crítica e de público, acabaram engavetados. O fenômeno revela uma faceta pragmática — e por vezes implacável — dos grandes estúdios AAA, que priorizam franquias saturadas em detrimento da continuação de obras com identidade própria.
Casos como Bully, da Rockstar, e Sleeping Dogs, da United Front Games, ilustram bem essa dinâmica. O primeiro, um clássico cult que subverteu o gênero mundo aberto ao trocar o crime organizado pela vida escolar, teve sua sequência cancelada diversas vezes. O segundo, um thriller de ação ambientado em Hong Kong, sucumbiu não por falta de qualidade, mas por expectativas de vendas que beiravam o impossível dentro dos padrões corporativos da época.
A lógica por trás desses cancelamentos frequentemente ignora o valor cultural e a base de fãs desses títulos. Muitas vezes, uma propriedade intelectual é deixada de lado simplesmente porque não se encaixa em modelos agressivos de monetização ou é considerada "obsoleta" na visão de executivos focados em resultados trimestrais. O resultado é um mercado que, embora tecnologicamente avançado, prefere com frequência o conforto do familiar ao risco da inovação.
Com informações do Canaltech.
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