Após quase meio século no vácuo do espaço, a Voyager 1 começa a se apagar. Engenheiros da NASA desativaram recentemente o instrumento de partículas carregadas de baixa energia (LECP, na sigla em inglês) da sonda — uma decisão estratégica para conservar as reservas de energia cada vez mais escassas da espaçonave. A medida veio depois de uma queda significativa de voltagem observada durante uma manobra de rotina em fevereiro, sinal de que os geradores termoelétricos de radioisótopos — que convertem o calor do plutônio em decaimento em eletricidade — estão se aproximando de seus limites funcionais.
A mais de 25 bilhões de quilômetros da Terra, a Voyager 1 opera num domínio em que cada watt é um recurso precioso. A desativação do LECP é um sacrifício calculado para impedir que o sistema de proteção contra subtensão da sonda seja acionado. Se esse mecanismo entrasse em operação, poderia desligar autonomamente componentes vitais, com o risco de cortar permanentemente a comunicação com a Terra. Ao desligar preventivamente o hardware não essencial, a equipe da missão espera manter os sistemas centrais e os sensores remanescentes ativos pelo maior tempo possível.
A proeza de engenharia que mantém a Voyager 1 em funcionamento desde 1977 é difícil de exagerar. Em novembro, a sonda deve alcançar um marco simbólico: será o primeiro objeto fabricado pelo ser humano a estar a um dia-luz de distância do planeta natal. Embora suas capacidades científicas estejam sendo progressivamente sacrificadas em nome da longevidade, a missão continua a redefinir os limites da engenharia humana e do nosso alcance no meio interestelar.
Com reportagem de Olhar Digital.
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