Jogo de nervos com efeito colateral
A Ryanair de Michael O'Leary há muito trata a economia da aviação europeia como um jogo de quem pisca primeiro. O impasse atual com a Aena, operadora dos aeroportos espanhóis, segue um roteiro conhecido: diante de aumentos propostos nas tarifas aeroportuárias, a companhia iniciou uma retirada estratégica, cortando milhões de assentos em toda a malha regional da Espanha. É um exercício clássico de pressão — usar a ameaça de queda no turismo para forçar a mão do regulador.
A eficácia desse tipo de confronto, porém, depende da ausência de alternativas. No aeroporto de El Prat, em Barcelona, os dados indicam que o recuo tático da Ryanair está criando um vácuo que seus rivais fazem questão de ocupar. No primeiro trimestre do ano, a fatia de mercado da companhia no hub caiu para 15,9%, uma queda expressiva em relação ao ano anterior. Para uma empresa que se orgulha de expansão incessante, essa contração representa um risco calculado que pode estar gerando retornos decrescentes.
Quem ganha com o atrito
As principais beneficiárias dessa fricção são Vueling e Wizz Air. A Vueling, controlada pelo grupo IAG e com presença dominante em Barcelona, viu seu número de passageiros se aproximar da marca de cinco milhões, enquanto a Wizz Air segue absorvendo a demanda no segmento de baixo custo. No mundo comoditizado dos voos de curta distância, em que preço e horário ditam o comportamento do consumidor, a decisão da Ryanair de recuar funciona menos como um cerco e mais como um convite à concorrência.
Com reportagem de Xataka.
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