Uma inovação sem progresso

Inovação nem sempre é sinônimo de avanço humanitário. Em outubro de 1829, Nazario Eguía, então capitão-general da Galícia e figura central do absolutismo espanhol, recebeu um envelope em seu gabinete em Santiago de Compostela que mudaria a história da criminalidade política. Ao romper o lacre, a correspondência detonou, atingindo Eguía com estilhaços e provocando mais de uma dezena de ferimentos graves nas mãos e no torso.

O alvo: um militar de temperamento implacável

O episódio é reconhecido como o primeiro registro documentado de uma carta-bomba na história. Eguía, oficial militar com carreira brilhante que trocou os estudos eclesiásticos pelas armas para combater as tropas de Napoleão, era conhecido por um temperamento descrito como "excessivamente duro". Sua administração implacável e suas convicções antiliberais lhe renderam inimigos fervorosos, que decidiram responder ao autoritarismo com uma sofisticação química letal para os padrões do século 19.

A farmácia que virou arsenal

Investigações históricas e suspeitas indicam que o dispositivo explosivo não teve origem em um arsenal militar, mas nos fundos de uma farmácia em Vigo. O domínio de química elementar permitiu que opositores transformassem um objeto cotidiano de comunicação em uma arma de surpresa absoluta. Embora tenha sobrevivido ao atentado e prosseguido sua trajetória política como conde de Casa Eguía, o militar carregou as cicatrizes de um pioneirismo trágico: o de ter sido a primeira vítima do terrorismo postal.

Com informações de Xataka.

Source · Xataka