O conflito no Oriente Médio ultrapassou os limites de uma crise regional de segurança e agora ameaça os insumos fundamentais da agricultura global. Com as hostilidades interrompendo o Golfo Pérsico — principal corredor mundial para ureia, amônia e enxofre —, o fornecimento de fertilizantes essenciais está efetivamente cortado há quase um mês. O momento é especialmente crítico: coincide com a temporada de plantio de primavera no Hemisfério Norte e o início do plantio de inverno na Austrália.
A ruptura chega num cenário já fragilizado. Grandes produtores como China e Rússia vinham reduzindo suas exportações de fertilizantes, deixando os mercados globais sem margem de manobra. Analistas de mercado avaliam que o choque econômico resultante pode superar a volatilidade provocada pela invasão da Ucrânia em 2022. Embora os picos mais imediatos nos preços de combustíveis e alimentos estejam sendo sentidos na Ásia e na África, a pressão inflacionária deve alcançar o mercado americano à medida que a escassez de insumos se traduzir em queda de produtividade.
A gravidade final desta crise será provavelmente determinada por uma variável imprevisível: o clima. Com o aquecimento global continuando a alimentar padrões climáticos extremos, a resiliência das safras deste ano já está sob pressão. Se o conflito persistir, a combinação de cadeias de suprimentos interrompidas com quebras de safra provocadas pelo clima pode gerar uma crise de segurança alimentar em cascata, capaz de transcender fronteiras e alianças geopolíticas tradicionais.
Com reportagem de Carbon Brief.
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