A Apple trava neste momento um jogo de alto risco com a Competition Commission of India (CCI). Há meses, a gigante de tecnologia supostamente retém dados financeiros específicos solicitados pela agência, que investiga se as políticas da App Store configuram abuso de posição dominante no mercado. O impasse se aproxima de um desfecho: uma audiência final está marcada para 21 de maio, e a penalidade potencial — calculada sobre o faturamento global, conforme a legislação antitruste atualizada da Índia — pode chegar à cifra extraordinária de US$ 38 bilhões.

No centro da disputa está a conhecida crítica ao "jardim murado". A CCI alega que, ao obrigar desenvolvedores a usar seu sistema proprietário de compras dentro de aplicativos, a Apple se vale de sua posição de gatekeeper para sufocar a concorrência e cobrar taxas abusivas. A defesa da empresa historicamente se apoiou em seu status de coadjuvante no mercado indiano, onde o Android segue como líder absoluto. Esse argumento, porém, perde força à medida que a presença da Apple cresce; dados recentes da Counterpoint Research indicam que a participação de mercado da companhia atingiu nove por cento em 2025 — um salto expressivo num país que representa o próximo grande motor de crescimento global para eletrônicos de consumo.

O atrito vai além de uma simples disputa contábil; trata-se de um teste sobre como a soberania nacional interage com ecossistemas digitais globais. A Apple já contestou a validade das leis de penalidade antitruste da Índia em um caso separado, sinalizando uma estratégia mais ampla de resistência jurídica à fiscalização local. À medida que a Índia flexiona seus músculos regulatórios sobre o setor de tecnologia, o desfecho da investigação da CCI servirá como termômetro de como as grandes empresas de tecnologia ocidentais terão de navegar os marcos legais cada vez mais assertivos do Sul Global.

Com reportagem de Engadget.

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