O combustível que ninguém vê — mas todo mundo paga

Para a maioria dos motoristas americanos, o preço da gasolina é o principal termômetro da saúde econômica — um número visível piscando em cada esquina. Mas um combustível mais crítico, e bem menos aparente, exerce hoje uma pressão muito maior sobre o bolso da nação. Segundo dados recentes de pesquisadores da Brown University, a disparada do diesel provocada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio impôs aos consumidores dos Estados Unidos um custo adicional de US$ 9,4 bilhões — quase metade do aumento total de US$ 19 bilhões em gastos com combustível desde o início do conflito.

A alta reflete diretamente a fragilidade dos corredores globais de energia. Quando as tensões escalaram e o Irã ameaçou o Estreito de Ormuz — ponto de passagem de um quinto do petróleo mundial —, os mercados reagiram com volatilidade previsível. Um acordo de paz fracassado manteve os preços em trajetória ascendente, mas o impacto do diesel é particularmente insidioso porque raramente é pago de forma direta pelo consumidor comum na bomba. Em vez disso, funciona como um imposto oculto sobre a circulação de mercadorias.

Jeff Colgan, cientista político da Brown que liderou o desenvolvimento de um painel de monitoramento em tempo real, observa que esses custos equivalem a cerca de US$ 71 por domicílio americano. Como o diesel alimenta a espinha dorsal da economia industrial — transporte rodoviário, ferrovias, agricultura e construção civil —, seu preço está embutido no custo de praticamente todo produto físico. Dos hortifrútis no supermercado aos materiais de uma casa nova, o ágio do diesel é um peso sistêmico que continua a subir, mesmo quando o carro de passeio fica na garagem.

Com reportagem de Grist.

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