Duas vidas, um custo

Num cenário ainda dominado pela separação rígida entre trabalho e vida pessoal, a coach de liderança Aiko Bethea e a pesquisadora Brené Brown questionam a utilidade da chamada "persona profissional". Em conversa recente sobre o novo livro de Bethea, Anchored, Aligned and Accountable, as duas exploraram por que o hábito de cindir nossas identidades — agir como uma pessoa em casa e outra no escritório — é um obstáculo fundamental ao crescimento autêntico e à resolução eficaz de conflitos.

Valores não se compartimentalizam

Bethea argumenta que o impulso de compartimentalizar nossos valores é um comportamento aprendido, muitas vezes alimentado pelo desejo de se encaixar em estruturas corporativas ou de evitar ser alvo em ambientes de alta pressão. Essa fragmentação gera um atrito psicológico: quando "terceirizamos" nosso julgamento para caber num molde profissional, perdemos a capacidade de lidar com conflitos de forma íntegra. Para Bethea, não existe um sistema de valores "profissional" que funcione de maneira independente do núcleo pessoal de cada um; o que existe é um conjunto único de valores que orienta todas as dimensões da vida.

Conflito como terreno de transformação

O modelo proposto por Bethea sugere que o conflito, embora inerentemente desconfortável, é o principal terreno de transformação. Ao trocar a esquiva pela responsabilização, indivíduos podem interromper o ciclo de ressentimento que frequentemente contamina a dinâmica de trabalho. Liderança verdadeira, nessa perspectiva, tem menos a ver com manter uma fachada polida e mais com o trabalho difícil de alinhar ações a uma bússola interna — independentemente do contexto.

Com reportagem de Fast Company.

Source · Fast Company