O mito do combustível de transição

A narrativa do Gás Natural Liquefeito (GNL) como "combustível de transição" — uma alternativa supostamente mais limpa ao carvão e ao petróleo — sustenta há anos a estratégia industrial da Louisiana. Desde que o estado inaugurou seu ciclo de exportações em 2016, tornou-se o epicentro de uma reconfiguração energética global. Os dados da infraestrutura já existente, porém, sugerem que o rótulo de "mais limpo" é mais peça de marketing do que realidade. O terminal de Sabine Pass, o primeiro do estado, já emite mais gases de efeito estufa do que as maiores refinarias de petróleo da Louisiana.

Um projeto que ofusca todos os outros

Agora, um novo empreendimento promete tornar esses números modestos em comparação. Nos pântanos próximos a Lake Charles, a Woodside Energy, maior produtora de petróleo e gás da Austrália, ergue o "Louisiana LNG". Com custo de US$ 18 bilhões, a instalação representa um dos maiores investimentos estrangeiros da história do estado. Ainda assim, segundo análise de registros federais e estaduais feita pela Verite News, o terminal deve ser a instalação de GNL mais intensiva em carbono dos Estados Unidos, superando todos os terminais em operação e dezenas de outros propostos para a próxima década.

Vulnerabilidade que se aprofunda

A expansão dessa infraestrutura chega num momento delicado para a costa do Golfo. A Louisiana segue especialmente vulnerável à volatilidade de um clima em aquecimento, enfrentando tanto a perda acelerada de território pela elevação do nível do mar quanto a intensificação dos furacões no Atlântico. Para ativistas locais, a decisão de abrigar o projeto de gás mais poluente do país numa região que já sofre com seus efeitos é um paradoxo do planejamento industrial. À medida que o estado reforça seu papel como polo energético global, aprofunda um ciclo de vulnerabilidade que a transição para o gás, em tese, deveria atenuar.

Com reportagem de Grist.

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