O Estreito de Gibraltar sempre funcionou como um barômetro silencioso do poder no Mediterrâneo. Nos anos 1980, os Estados Unidos usaram bases espanholas para lançar ataques contra a Líbia — manobra que evidenciou como a estabilidade regional frequentemente depende de arranjos discretos, costurados nos bastidores. Décadas depois, a arquitetura geopolítica do Estreito volta a se reconfigurar, mas o centro de gravidade se deslocou para o outro lado da água.
Washington e Rabat formalizaram recentemente um plano de defesa com horizonte de dez anos, um pacto estratégico que consolida o Marrocos como principal parceiro militar dos Estados Unidos no Norte da África. A decisão não representa uma guinada repentina, mas o resultado de um acúmulo constante e deliberado de escolhas bilaterais. Ao integrar o Marrocos ao seu arcabouço de segurança de longo prazo, os EUA estabelecem uma âncora mais robusta no flanco sul da Europa — alterando de forma estrutural o status quo regional.
Para a Espanha, esse realinhamento silencioso tem peso considerável. O aprofundamento da relação entre Estados Unidos e Marrocos transforma o país norte-africano de aliado regional em plataforma estratégica para os interesses americanos. À medida que o equilíbrio de poder se recalibra, o Estreito passa a ser cada vez mais definido por essa nova parceria — sinal de uma mudança sofisticada e de longo arco na forma como o Ocidente administra a passagem entre o Atlântico e o Mediterrâneo.
Com reportagem de Xataka.
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