Numa paisagem cinematográfica cada vez mais definida pela captura sem atrito de dados digitais, o trabalho de Mark Jenkin funciona como lembrete das raízes físicas do meio. Sua metodologia se define por um compromisso rigoroso, quase devocional, com as limitações do analógico. Com câmeras de manivela, Jenkin não apenas registra uma cena — ele a executa, os ouvidos atentos ao tique rítmico das frações de segundo enquanto a película avança pelo mecanismo.
Esse engajamento com o tempo vai além da filmagem e adentra o laboratório. Para Jenkin, o filme é menos uma sequência de imagens do que uma série de variáveis químicas e térmicas. Ele mede o tempo pela temperatura do revelador e pela duração precisa da exposição à luz, processando o celuloide à mão. É um trabalho lento e tátil que transforma o conceito abstrato de "momento" em algo tangível — um material que pode ser sentido e moldado.
O resultado é uma textura que sensores digitais não conseguem replicar — uma linguagem visual nascida do atrito entre o artista e suas ferramentas. Ao controlar cada etapa da revelação, Jenkin trata a montagem não como um arranjo conduzido por software, mas como uma escultura física da duração. Em suas mãos, o cinema tem menos a ver com a reprodução da realidade do que com a medição meticulosa dos elementos necessários para capturá-la.
Com reportagem de London Review of Books.
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