O foco não é o Autopilot

As disputas judiciais envolvendo a Tesla costumam girar em torno de falhas atribuídas ao software de assistência ao motorista. Mas um acordo recente na Flórida direciona a atenção para uma interseção mais humana entre tecnologia e responsabilidade civil: a autoridade de técnicos da empresa para desativar restrições de segurança. Na segunda-feira, a Tesla encerrou um processo de morte por negligência movido pela família de um passageiro de 18 anos morto em um acidente em 2018.

O caso envolvia uma colisão a 186 km/h em Fort Lauderdale. Segundo os autores da ação, os pais do motorista haviam instalado previamente um limitador de velocidade por software no Model S, restringindo o veículo a 136 km/h após um incidente anterior de excesso de velocidade. A família alegou que um técnico da Tesla desativou o limitador a pedido do adolescente, sem buscar o consentimento dos pais. Essa modificação, argumentaram, viabilizou diretamente o acidente em alta velocidade.

Acordo evita escrutínio público

Ao fechar o acordo no momento em que a seleção do júri estava prestes a começar no condado de Broward, a Tesla evitou um julgamento público que colocaria sob escrutínio seus protocolos internos para modificações em veículos. Embora os termos permaneçam sob sigilo, o caso evidencia uma tensão crescente na era dos veículos definidos por software: à medida que os carros se tornam cada vez mais programáveis, a questão de quem detém a autoridade final sobre configurações de segurança — e quem responde quando essas configurações são contornadas — segue como uma fronteira jurídica complexa.

Com reportagem de Electrek.

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